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segunda-feira, 21 de abril de 2008

As Origens da Língua Hebraica (Uri Lam)

AS ORIGENS DA LÍNGUA HEBRAICA


Uri Lam - 04/08/2001


O Hebraico está entre as mais antigas línguas do mundo e é falada há pelo menos 4.000 anos. O idioma já era falado em Israel deste o tempo dos primeiros povos semitas, ou seja, por povos e tribos muito antigas, que se consideravam descendentes de Shém Bên Nôach (Sêm, filho de Noé) muito tempo antes da colonização judaica da região de Canaã.

Com a chegada do Povo de Israel a Canaã por volta de 2.000 A.E.C., vindos da Mesopotâmia, desenvolveu-se uma língua semita a partir do canaanita, muito similar ao aramaico. Esta se difundiu e passou a ser a língua unificada das tribos de Israel.

À época do 1o Grande Templo Sagrado (cerca de 960 a 586 A.E.C.) o hebraico era língua oficial em Israel e na Judéia. Na Terra da Judéia o hebraico passou a se chamar "língua judaica" (embora, na prática, o hebraico e a "língua judaica" fossem a mesma língua).

A partir do hebraico falado nesta época em Israel e na Judéia foram produzidas e escritas, do ponto de vista histórico, as Escrituras Sagradas. Após a destruição do 1o Grande Templo Sagrado (Beith HaMikdásh) em 586 A.E.C., o hebraico perdeu a posição de única língua entre o povo, perdendo terreno para o aramaico. Embora até o séc. II da E.C. o hebraico nunca tenha deixado de ser uma língua viva, era agora somente utilizado pelos sábios e líderes do povo. O hebraico passou a ser conhecido como a "língua dos sábios". Nesta época (cerca de 200 da E.C. a 600 da E.C.) foram produzidas a literatura da Mishná, livros de Halachá e o Midrásh. A "língua dos sábios" contém cerca de 22.000 vocábulos - 14.000 a mais do que encontramos na Torá - pois incorporou muitas palavras e características gramaticais do aramaico. Seu estilo é menos poético e elaborado do que o hebraico bíblico.

O Período Mishnáico compreende ainda o chamado Período Talmúdico, quando mesmo os grandes estudiosos da Torá deixaram de realizar seus estudos em hebraico e o aramaico passou a ser também a língua falada por eles. Para se ler a Torá, então, traduziram-se trechos inteiros para o aramaico, com a finalidade de fazer com que o povo entendesse o que nela estava escrito. A partir daí, o hebraico passou a ser conhecido como "língua sagrada", ou seja, a língua na qual foram escritos os textos sagrados. O aramaico tornou-se de vez a língua falada pelos hebreus.

Desde o ano 600 até 1700 da E.C. o hebraico proporcionou ampla produção literária (com grande influência do hebraico bíblico - literatura de caráter poético, surgindo daí poemas litúrgicos como "Adón Olám") no Norte da África, Espanha, Itália, França e Alemanha. Também se desenvolveram as Escolas de tradução, de estudos de gramática, de Filosofia (basicamente em árabe), de interpretação bíblica e de ciências. As línguas faladas pelos judeus eram agora os idiomas dos povos entre os quais viviam - tanto nas suas formas locais quanto na forma de dialetos como o Yidish, baseado essencialmente no idioma alemão, com inserções do hebraico e outras línguas e o Ladino ou Judeu-Espanhol.

Desde o final do Séc. XVIII até o Séc. XIX tivemos o movimento iluminista judaico, a Haskalá. Este movimento preparou o terreno para o renascimento do hebraico como língua popular e de comunicação oral, fato que se concretizou com a obra do escritor russo Mendele Sefarim (1835-1917), que criou as bases da literatura hebraica moderna, e com Eliézer Bên Yehuda (1858-1922), que demonstrou ser possível utilizar o hebraico como língua cotidiana.

Com o surgimento do movimento sionista no final do séc. XIX; a conseqüente imigração de milhares de judeus para Éretz Israel e sua permanência lá; e, finalmente, a independência do Estado de Israel em 1948, o hebraico voltou a ser uma língua viva, ao tornar-se o idioma nacional oficial de Israel.

Hoje em dia não há condições de sabermos exatamente como o hebraico era falado por nossos antepassados, de quantas palavras era composto o vocabulário ou como as palavras eram pronunciadas. O hebraico moderno é hoje resultado da coexistência de elementos lingüísticos de todas as fases anteriores, mesmo as mais arcaicas, e conta com aproximadamente 200.000 palavras correntes, e é estudado e falado por judeus e não judeus no mundo inteiro. Portanto, não se pode considerar nenhuma pronúncia como a mais correta. As influências advindas tanto da Alemanha quanto do Egito, da Rússia e dos Estados Unidos, da Argentina e do Brasil, da Etiópia e do Iraque, reproduzem em sons o verdadeiro mosaico em que se transformou o Povo de Israel nos tempos atuais.


Referências Bibliográficas:

  • ÉVEN SHUSHÁN, Avrahám. Dicionário Hebraico-Hebraico. Ed. Kiriát Séfer: Jerusalém, Israel, 1959.
  • BEREZIN, Rivka. Dicionário Hebraico-Português. EDUSP: São Paulo, 1995.

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