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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Hebraico – uma velha nova língua (Boris Dahis)

Língua Hebraica

O Hebraico – uma velha nova língua
(Um breve resumo)

Boris Dahis
borisdahis@uol.com.br

É aceito entre os estudiosos de lingüística a idéia da criação do alfabeto entre os séculos XVII-XVIII A.E.C (época dos Patriarcas) na região semítica norte (Síria, Palestina e Fenícia). Certo ou não, não há dúvida que a criação do sistema alfabético, onde cada sinal gráfico representa um som, foi uma idéia genial, e representou um grande avanço e uma contribuição significativa para o desenvolvimento da humanidade.

Se compararmos o sistema alfabético aos sistemas anteriores vigentes na região; o hieroglífico adotado pelos egípcios, onde cada sinal píctórico significava uma palavra, ou o sistema mesopotâmico cuneiforme onde um sinal gráfico representava uma ou várias silabas (sistema ainda adotado pelos chineses), imaginamos a quantidade imensa de caracteres que deveríamos aprender para uma simples frase, é indubitável a vantagem de aprendermos somente 22 a 30 caracteres, e juntando-os formamos as palavras.

A língua hebraica descende das línguas da região semítica norte. Podemos dividi-la em dois estágios:
1) Hebraico Antigo ou Ivrí ( ) falado e escríto desde a época dos patriarcas até o cativeiro na Babilônia (meados do século V A.E.C.), de origem canaanita;
2) A Escrita Quadrada ou Ashuri ( ) adotada após o exílio na Babilônia, derivada do Aramaico, e da qual deriva o hebraico moderno.

Atribui-se a Nehemias a reconstrução do templo (520-516 A.E.C.) durante o império persa, a construção de muralhas em Jerusalém e a organização política e social do povo judeu no retorno a sua terra e a Esdras (o escriba) a organização espiritual e religiosa.
Atribui-se a Esdras a compilação da Torá na escrita quadrada e a sua interpretação, tornando-a o guia espiritual e caminho de vida do povo judeu. David Diringer em sua obra "História do Aleph-Beth" cita o prof. R. H. Pfeifer "A restauração da Torá demonstrou ser mais significativa para todo o curso da história judaica que a reconstrução do templo".
Realmente o templo foi destruído pelos romanos em 70 E.C., porém o povo judeu conservou suas tradições, língua e escrita através da Torá até os dias de hoje.

A vocalização, vogais: O hebraico é uma língua consonantal (usa somente consoantes). Após a destruição do segundo templo e Êxodo dos judeus, os sábios e estudiosos temendo a degeneração da língua criaram o sistema vocálico (vogais). Foi um processo longo e minucíoso que extendeu-se dos anos 500 a 1000 E.C. e desenvolveu-se em três sistemas diferentes: o babilônico, o israelense e o tiberiano. Foi adotado o sistema tiberiano o qual adota o uso de pontos na maioria, daí o nome Nekudot (pontos).

A língua e a escrita hebraica após o exílio: Com a destruição do templo em Jerusalém e a dispersão do povo a sinagoga substituiu-o como centro espiritual nas diversas comunidades espalhadas pelo mundo, e a Yeshivá (Centro de Estudos Religiosos) encarregava-se da alfabetização e educação. Graças a este sistema na idade média quando o analfabetismo era corrente nos povos, entre os judeus ele era desconhecido.

Até a idade de ouro: (época da conquista árabe, século VIII - início do século XV E.C). Assim chamada pela liberdade criativa proporcionada a árabes, judeus e cristãos, o hebraico limitou-se mais a assuntos religiosos. Além do uso corrente nas sinagogas, o hebraico serviu como escrita para 3 obras gigantescas: a Mishná, o Talmud ou Guemará e o Zohar.

A mishná: Desde o tempo de Moisés além da tradição escrita havia também uma tradição oral (Torá B'Al Pé) que era passada através das gerações, e versava sobre o permitido e o proibido pela lei religiosa. Esdras começou a compila-la e a comenta-la com o retorno dos judeus do exílio da Babilônia, continuando através de vários sábios até o século II. E.C. Quando o Rabí Yehuda Ha'Nassí (O Príncipe) acabou de concluí-lo. A Mishná é uma coleção de decisões, doutrinas e interpretações religiosas baseadas na Bíblia, as quais serviram de base para o Talmud.

O Talmud: A Mishná trata mais de assuntos jurídicos ligados a religião, sendo que o Talmud, trata das questões morais, históricas, legendária e teológicas. O Talmud desenvolveu-se em duas escolas: o Talmud Yerushalmi e o Talmud babilônico, sendo o primeiro criado pelo Rabí Yochanan Bar Napah chefe da academia de Tiberiades no ano de 230 E.C. e terminado pelo patriarca Gamiel Ben Judá no ano de 385 E.C. O Talmud Babilônico foi iniciado pelo Rabí Ashí chefe da academia de Sura sob o domínio dos persas e árabes, no ano de 367 EC e continuado por seus discípulos até a primeira metade do século VI.

O Zohar: Livro que deu base à literatura cabalística (Cabala) emana do espírito místico-filosófico de alguns judeus, entre os quais Shimeon Ben Yochai, Moisés de Leon e Eleazar de Worms (século XII-XIII). Na idade média e principalmente com as cruzadas, inicia-se um período de perseguições religiosas pela Igreja Católica, resumindo-se a produção literária a comentários bíblicos, conseqüência da escuridão cultural dos povos que os cercavam. Diversa era a situação nos povos de domínio islâmico, onde havia uma certa liberdade intelectual.para os islâmicos,judeus e cristãos.
Tem início, então, o período chamado Idade de Ouro quando na Palestina, norte da África e principalmente na Espanha judeus dão a sua contribuição em todos os ramos do conhecimento humano.
Com a retomada da Península Ibérica pelo católicos os judeus são expulsos da Espanha e Portugal. Espanha perde um gênio da grandeza de Maimonides, médico, rabino e filósofo. Inicia-se a migração dos judeus para as Américas, Itália, leste europeu, Palestina e norte da África. O movimento renascentista na Itália, e a relativa liberdade de expressão tornou-a um importante pólo cultural à época.
É desenvolvido desde o século II pelos judeus de origem alemã um dialeto que mistura o alemão com termos hebraicos: o Ídiche, o qual difundiu-se entre judeus do leste europeu (ashkenazitas). Paralelamente desenvolveu-se entre o judeus da Península Ibérica (sefaraditas) um dialeto hispano-hebraico: o Ladino. Ambos eram escritos com caracteres do hebraico cursivo.
Desde o século XII foi traduzida a bíblia na língua Idish.

Eliezer Ben Yehuda (1858-1922) e o Moderno Hebraico: Os "Poogroms" do final do século XIX na Rússia fizeram com que parte dos judeus emigrasse para a Palestina. Ben Yehuda de origem russa e estudante de medicina em Paris ali chegou em outubro de 1881. Já existiam pequenos núcleos judaicos na Palestina cada qual falando o idioma de seus lugares de origem. O hebraico então era considerado "Língua Sagrada" usada nas sinagogas e para estudos religiosos. Ben Yehuda que em sua mocidade já escrevia em periódicos judaicos russos em hebraico, pregava a solução da perseguição ao judeus na volta a sua terra e a adoção do hebraico como língua nacional do povo judeu. Assim quando chegou à Palestina teimou em falar hebraico no dia-a-dia. Seu filho Ehud foi a primeira criança a falar hebraico diariamente. Na Palestina, grande foi a oposição dos que consideravam o hebraico "Língua Sagrada" a ser usada somente nas orações e estudos bíblicos. Porém o seu lema "Um povo, uma língua" foi adotado por um grupo de intelectuais e, juntos formaram o Comitê para a Língua Hebraica em 1890. Ben Yehuda propôs-se a uma tarefa gigantesca: a criação do primeiro dicionário hebraico moderno obra de 17 volumes, mãos e mentes de um só homem.
Ben Yehuda e o comitê L.H. criaram também novos vocábulos e novas palavras, baseados na Torá, Mishná e Talmud, no aramaico antigo e no árabe mais recente. O C.L.H. criou as bases para a fundação da Academia de Língua Hebraica em 1953.

O governo de Israel e o hebraico: Com o término da 2ª guerra mundial e o estabelecimento do Estado de Israel, tem início uma imigração em massa para o novo Estado, tanto judeus saídos dos campos de concentração da Europa como os judeus provindos dos países árabes, expulsos como represália após a guerra da libertação de 1948. Viu-se o governo de Israel frente a uma tarefa gigantesca de absorção, quando mais de 50% de sua população não falavam a língua do país. Foi então criado o sistema de ULPAN (Escola de Hebraico para Adultos) sendo o primeiro ULPAN criado em Jerusalém em setembro de 1949, com o nome de ULPAN ETZION. Mais tarde os Ulpanim espalharam-se por todo país, e exerceram um papel fundamental na alfabetização de adultos no estado de Israel.

O governo de Israel, o hebraico e a diáspora: paralelamente a esse esforço, o governo de Israel não descuidou da interligação com o povo judeu na Diáspora. Nas principais cidades do mundo, onde exista uma quantidade razoável de judeus e onde a liberdade religiosa é exercida, existem sinagogas e escolas para o ensino da língua hebraica, as quais contam com a orientação pedagógica de enviados do governo de Israel e adotam o sistema Israelense de ensino. Isto tem demonstrado ser de máxima valia, estreitando os laços indissolúveis entre os judeus na diáspora e o judaísmo em Israel. É interessante ressaltar o interesse despertado entre os não judeus pelo aprendizado da língua hebraica, conseqüência talvez da liberdade religiosa e de pensamento nesta segunda metade do século XX em alguns paises, ou pela abertura de cursos de hebraico para qualquer um que queira aprendê-lo, o fato é que tem havido procura e interesse, seja por pessoas que descobriram uma ascendência judaica, estudantes de línguas antigas, membros de diversos ramos religiosos, estudantes da Bíblia e de história antiga, simpatizantes de Israel e de seu povo, estagiários ou simplesmente curiosos. O fato é que efetuou-se o milagre do renascimento desta língua milenar, e hoje ela é uma língua viva e atuante, falada e escrita como tantas outras línguas de nosso planeta.

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